Filosofia

25 Argumentos Criacionistas e 25 Respostas Evolucionistas

Por Michael Shermer, Editor executivo da Skeptic Magazine.

Fonte: http://cienciaxreligiao.blogspot.com.br/2013/02/25-argumentos-criacionistas-e-25.html

O que se segue é uma lista de argumentos utilizados pelos criacionistas. Aborda principalmente os problemas que eles vêem na teoria evolucionista. Tais argumentos, embora mais discretamente, também defendem sua crença religiosa.

Os argumentos e respostas foram simplificados por uma questão de espaço, mas mostram o essencial do debate. Eu os organizei para uso durante meu seminário sobre o assunto, com a duração de um semestre, e cabe aqui uma importante advertência: estas explicações não substituem uma leitura mais detalhada das obras disponíveis.

Podem até servir para uma conversa casual, mas não para um debate formal com criacionistas bem preparados.

Explicações mais detalhadas podem ser encontrados em inúmeros livros como os citados a seguir, que eu usei para preparar este texto e que são um bom lugar para se começar:

Evolution: The History of an Idea (1989) por Peter Bowler (University of California Press);

Science on Trial: The Case for Evolution (1982) por Douglas Futuyma (Pantheon);

Creationism on Trial: Evolution and God at Little Rock (1985) por Langdon Gilkey (Harper & Row);

Scientists Confront Creationism (1983) por Laurie Godfrey (ed.) (Norton);

Hen’s Teeth and Horse’s Toes (1983) e Bully for Brontosaurus (1991) por Stephen Jay Gould (Norton);

The Creationists (1992) por Ronald Numbers (Knopf);

Darwinism Defended (1982) por Michael Ruse (Addison-Wesley).

Agradeço a Donald Prothero, Elie Shneour e Tom McIver, da equipe de editores da Skeptic, por revisar a lista.

Uma segunda advertência: céticos com frequência se envolvem em debates, alguns formais e a maioria informal, portanto seria sensato considerar as palavras de Stephen Jay Gould, que se confrontou com criacionistas em muitas ocasiões (tiradas de uma conferência na CALTECH em 1985):

“Debater é uma forma de arte. Trata-se de vencer por meio de argumentos. Não se trata de descobrir a verdade. Há certas regras e procedimentos para se debater que nada têm a ver com se estabelecerem os fatos – e os criacionistas são muito bons nisto. Algumas destas regras são: nunca diga nada de bom sobre aquilo que você defende, pois dá ao oponente a chance de lhe atacar. Em vez disto, martele os pontos que lhe parecem fracos na posição de seu oponente. Eles são bons nisto e eu não creio que possa vencê-los num debate. Só consigo empatar. Nos tribunais, entretanto, eles ficam em desvantagem porque, durante um julgamento, você não pode desenvolver o assunto. Num tribunal, você tem que responder a perguntas diretas sobre as virtudes de sua crença. Nós os destruímos no Arkansas. No segundo dia de um julgamento de duas semanas, já tínhamos definido nossa vitória!”

OS MITOS DE CRIAÇÃO

1 – Mitos da Criação a partir da Morte de um Monstro

“O mundo foi criado a partir dos pedaços de um monstro derrotado.”

Culturas representativas: indochineses, cabilas (África), habitantes das ilhas Gilbert, coreanos, sumério-babilônicos, gregos.

2 – Mitos da Criação a partir de uma Ordem Divina

“O mundo surgiu por ordem de um deus.”

Culturas representativas: Egípcios, maias, índios maidu, hebreus, sumérios, gregos.

3 – Mitos da Criação a partir de um Casal Primordial

“O mundo foi criado por meio da interação de pais primordiais.”

Culturas representativas: índios zufii, Japão, habitantes das ilhas Cook, gregos, índios luisciio, egípcios, taitianos.

ARGUMENTOS FILOSÓFICOS E RESPOSTAS

1. O criacionismo científico é científico e portanto deve ser ensinado nas aulas de ciência das escolas públicas.

O criacionismo científico só é científico no nome. É uma defesa mal disfarçada da crença religiosa na criação especial, portanto não tem cabimento apresentá-lo em cursos de ciência nas escolas públicas, e não merece mais atenção do que mereceriam coisas chamadas “ciência islâmica”, “ciência budista” ou “ciência cristã”. A afirmação a seguir vem do Instituto de Pesquisa Criacionista (Institute for Creation Research), que é o departamento de “pesquisa” do Christian Heritage College e estabelece as normas que são seguidas por todos os membros da faculdade e pesquisadores. Ela deixa claro quais são suas verdadeiras crenças. Não há nada de científico no “criacionismo científico”:
Acreditamos na absoluta integridade das Sagradas Escrituras e em que foram totalmente inspiradas pelo Espírito Santo quando seus originais foram escritos por homens preparados por Deus para este objetivo. As escrituras, tanto o Antigo como o Novo Testamento, são inerrantes sobre qualquer assunto que abordem e devem ser aceitas em seu sentido natural e planejado […] todas as coisas no universo foram criadas e feitas por Deus nos seis dias da criação especial descrita no Gênesis. O relato criacionista é aceito como factual, histórico e claro, e assim é fundamental para o entendimento de cada fato e fenômeno no universo criado.

2. Nem o criacionismo nem o evolucionismo são científicos porque “a ciência só se ocupa do aqui-e-agora e não pode responder a perguntas sobre a história da criação do universo e as origens da vida e do homem”.

Isto, é claro, derruba o “criacionismo científico” e o argumento nº 1, mas é falso de qualquer forma, porque o fato é que a ciência lida com fenômenos do passado, como é o caso de ciências históricas como a cosmologia, geologia, paleontologia, paleoantropologia e arqueologia. Há ciências experimentais e ciências históricas, que usam metodologias diferentes, mas que se equivalem em sua capacidade de entender a causalidade, e a biologia evolucionária é uma ciência histórica válida e legítima. Se esta afirmação fosse correta, grande parte da ciência, e não apenas o evolucionismo, seria estéril.

3. Já que a educação inclui aprender todos os pontos de vista sobre um assunto, é apropriado que tanto o criacionismo quanto o evolucionismo sejam ensinados lado a lado nas escolas públicas. Não fazer isto viola a filosofia da educação e a liberdade dos criacionistas, ou seja, nós temos o direito de ser ouvidos. Além disto, que mal há em se ouvir ambos os lados?

Apresentar múltiplos pontos de vista sobre cada assunto certamente faz parte do processo educacional e poderia ser apropriado discutir criacionismo em aulas de religião, história e até mesmo filosofia, mas certamente não de ciência, não mais do que cursos de biologia devam abordar os mitos da criação dos índios americanos. Não tratar de tais assuntos não viola os direitos de ninguém, já que em lugar nenhum na natureza ou na constituição está dito que todos têm direito a ensinar criacionismo nas escolas públicas. Os direitos não existem na natureza. Direitos são um conceito construído por humanos para proteger certas liberdades, mas degeneraram em pedidos de privilégios especiais para praticamente cada grupo e indivíduo na América que deseja algo que não tem. E, por fim, faz muito mal ensinar “criacionismo científico” como se fosse ciência porque é uma agressão a todas as ciências, não apenas à biologia evolucionária. Se o universo e a Terra tivessem apenas 10 mil anos de idade, a cosmologia, astronomia, física, química, geologia, paleontologia etc. seriam invalidadas. O criacionismo não pode nem mesmo estar parcialmente correto. No momento em que se admite uma causa sobrenatural para o surgimento de uma única espécie que seja, todas poderiam ter sido criadas assim e as leis da natureza perderiam a utilidade e o sentido.

4. Há uma espantosa correspondência entre os “fatos” da natureza e os “atos” da Bíblia. Portanto, é apropriado referenciar os livros de “criacionismo científico” à Bíblia e considerar a Bíblia como um livro de ciência, tanto quanto o livro da natureza.

A verdadeira mentalidade dos criacionistas pode ser vista na citação de Henry Morris abaixo. Ele dirigia o Institute for Creation Research e suas palavras revelam sua preferência pela fé como autoridade no caso de se encontrar qualquer evidência empírica contraditória (o que demonstra que eles não têm nenhuma metodologia científica):
A principal razão para se insistir no Dilúvio Universal como um fato histórico e como base para a interpretação geológica é que é isto que a Palavra de Deus nos ensina! Não podemos permitir que dificuldades geológicas, reais ou imaginadas, tenham precedência sobre as claras afirmações da Bíblia e as implicações que necessariamente resultam delas.
Seria ridículo imaginar os professores da CALTECH, por exemplo, defendendo uma crença cega deste tipo no livro de Darwin ou no de Newton no sentido de que nenhum fato discordante pudesse ter precedência sobre a autoridade do livro.

5. A teoria da seleção natural é tautológica, ou seja, é uma forma de raciocínio circular. Aqueles que sobrevivem são os mais bem adaptados. Quem são os mais bem adaptados? Aqueles que sobrevivem. Da mesma forma, rochas são usadas para datar fósseis e fósseis são usados para datar rochas. A ciência não pode se basear em tautologias.

Criacionistas têm uma visão muito simplista e um entendimento ingênuo de como funcionam a seleção natural e as forças geológicas. Em primeiro lugar, a seleção natural não é o único mecanismo de mudança orgânica (p.ex., Darwin escreveu um livro inteiro sobre a seleção sexual). Em segundo lugar, a genética da população mostra claramente, e com previsões matemáticas, quando a seleção natural vai provocar ou não mudanças numa população. Em terceiro lugar, é possível se fazerem previsões com base na teoria da seleção natural e então testá-las, como os geneticistas fazem no exemplo acima ou os paleontologistas fazem ao interpretar o registro fóssil. A seleção natural e a teoria da evolução são testáveis e falsificáveis. Se encontrássemos fósseis de hominídeos na mesma camada geológica que os trilobitas, por exemplo, teríamos uma evidência contra a teoria. A datação de fósseis a partir da rochas e vice-versa só pode ser feita depois que a sequência de camadas foi estabelecida. Esta sequência não é encontrada inteira em nenhum lugar porque as camadas estão interrompidas, deformadas e sempre incompletas por várias razões. Por outro lado, a ordem das camadas não é aleatória e a ordem cronológica pode ser determinada usando-se um conjunto de técnicas, sendo que os fósseis são apenas uma delas.

6. “Só há duas explicações para a origem da vida e a existência do homem, das plantas e dos animais: ou resultam do trabalho de um criador ou não”. Como as evidências não sustentam a teoria da evolução (ou seja, ela está errada), o criacionismo tem que estar certo. Qualquer evidência “que não é a favor da teoria da evolução é necessariamente a favor do criacionismo”.

Desconfie dos que dizem que “só há duas…”. Este é o clássico erro lógico conhecido como a falácia do isto-ou-aquilo, ou falácia das falsas alternativas. Se A é falso, então B tem que ser verdade. Ah é? Por que? Será que B não pode ser verdade sem depender de A? Claro que sim. Portanto, mesmo que se descubra que a teoria da evolução está totalmente errada e tudo não passou de um grande engano, isto não significa que, por mágica, o criacionismo esteja certo. Talvez haja alternativas C, D e E que ainda temos que considerar. Entretanto, há uma dicotomia verdadeira no caso de explicação natural versus explicação sobrenatural. Ou a vida foi criada e evoluiu por meios naturais ou não. Cientistas assumem que as causas foram naturais e os evolucionistas discutem as várias causas envolvidas, e não se tudo aconteceu por meios naturais ou sobrenaturais.

7. A teoria da evolução é a base do marxismo, comunismo, ateísmo e imoralidade e é a causa do declínio generalizado dos valores morais e da cultura da América, portanto é ruim para nossas crianças.

Neste argumento, começamos a ver que o criacionismo tem como base cultural um movimento social e político, e não científico. É por isto, em parte, que eles apelaram para o sistema legislativo numa tentativa de fazer com que o Estado imponha o ensino de sua “ciência” aos estudantes. Mas as leis não podem transformar um sistema de crenças em algo científico. Apenas os cientistas podem fazer isto.
A teoria da evolução, em particular, e a ciência, de modo geral, não são as responsáveis por estes “ismos” assim como as impressoras não são responsáveis pelo livro “Mein Kampf”, de Hitler. O fato de que a ciência da genética tenha sido usada para reforçar teorias raciais sobre a inferioridade inata de alguns grupos não significa que nós devamos abandonar o estudo da genética. Pode muito bem haver evolucionistas marxistas, comunistas, ateus e até imorais (seja lá qual for a definição de imoralidade), mas provavelmente há outros tantos evolucionistas capitalistas, teístas (ou agnósticos) e de moral inatacável. Quanto à teoria propriamente dita, pode ser usada para justificar o marxismo, o comunismo e o ateísmo, e foi, mas também tem sido usada (especialmente na América) para dar respeitabilidade científica ao liberalismo capitalista. Associar teorias científicas a ideologias políticas é um assunto perigoso e devemos ter cuidado ao fazer conexões sem evidências claras.

8. A teoria da evolução e seu amante, o humanismo secular, são, na verdade, uma religião, portanto não devem ser ensinadas nas escolas públicas.

Chamar a ciência da biologia evolucionária de religião é definir religião de uma maneira tão genérica que ela se torna totalmente sem sentido. Ciência é um conjunto de métodos criados para descrever e interpretar fenômenos observados ou inferidos, passados ou presentes, com o objetivo de se construir um corpo de conhecimentos aberto à rejeição ou confirmação. Religião — qualquer que seja — certamente não é “testável” nem “aberta à rejeição ou confirmação”. Da mesma forma, o “secular” de humanismo secular significa, por definição, “não religioso” e, portanto, não pode ser considerado religioso. As metodologias da ciência e da religião apontam em direções totalmente opostas.

9. Muitos dos principais evolucionistas são céticos quanto à teoria e a consideram problemática. Por exemplo, a teoria do equilíbrio pontuado de Stephen Jay Gould e Niles Eldredge provou que Darwin estava errado. Se os maiores evolucionistas do mundo não conseguem entrar num acordo, a coisa toda deve ser uma bobagem.

É particularmente irônico que os criacionistas tenham que citar o principal opositor ao criacionismo — Gould — nas suas tentativas de usar a ciência em seu benefício. Os criacionistas interpretam de forma errada, ou por ingenuidade ou intencionalmente, o saudável debate científico entre evolucionistas quanto aos agentes que causam as mudanças orgânicas. Eles parecem achar que esta troca normal de idéias e a natureza auto-corretiva da ciência são uma prova de que o evolucionismo está se esfarelando. Evolucionistas debatem e discutem sobre muitos detalhes, mas todos eles concordam sobre uma coisa: a evolução ocorreu. O que eles continuam debatendo é exatamente como ela ocorreu e qual a importância dos diversos mecanismos que a provocam. A teoria do equilíbrio pontuado de Eldredge e Gould é um refinamento e um aperfeiçoamento da teoria mais geral de Darwin. Ela não prova que Darwin estava errado assim como a relatividade de Einstein não prova que Newton estava errado.

10. A história da teoria da evolução em particular, e da ciência em geral, está cheia de teorias erradas e idéias derrotadas. O homem de Nebraska, o homem de Piltdown, o homem de Calaveras e o Hesperopithecus são apenas algumas das besteiras que os cientistas fizeram. Fica claro que a ciência não merece confiança e as teorias modernas não são melhores que as antigas.

Mais uma vez, esta é uma confusão grosseira sobre a natureza da ciência, que está constantemente construindo novas idéias sobre as idéias do passado. A ciência não apenas muda, ela se baseia no passado e avança para o futuro. Comete muitos erros, mas a característica de auto-correção do método científico é uma das suas mais belas qualidades. Fraudes como a do homem de Piltdown ou do homem de Calaveras e erros honestos como o do homem de Nebraska e do Hesperopithecus são, mais cedo ou mais tarde, descobertos. A ciência tropeça às vezes, mas levanta a si mesma, sacode a própria poeira e segue em frente. Como disse Einstein, “a ciência pode ser primitiva e infantil, mas é a coisa mais preciosa que temos”. É particularmente paradoxal que os “cientistas” criacionistas usem a retórica da ciência de modo a parecerem pesquisadores sérios e, ao mesmo tempo, ataquem exatamente as virtudes da ciência que eles dizem ter.

Nota:

Homem de Piltdown

O que dizem os criacionistas: Alguns dos ossos do passado, famosos por serem considerados de espécies transicionais, não são mais vistos dessa maneira nem pelos evolucionistas. O homem de Piltdown, uma referencia nos livros de ciência e museus durane anos acabou desmascarado como fraude.

fonte da pérola: aqui

A verdadeira história: Uma das vedetes dos argumentos criacionistas, por algum motivo eles citam fraudes que ocorreram décadas atrás como se elas invalidassem todos os fósseis que já foram encontrados até hoje.

É claro que não, fraudes ocorrem em qualquer área de conhecimento. Mas foi o método científico que permitiu descobrir que se tratava de uma montagem de um crânio humano com o maxilar de um chimpanzé.

Só isso seria suficiente para derrubar o pobre argumento de Piltdown, mas há mais coisas a serem ditas.

Piltdown, antes de ser desmascarado pela ciência como fraude, não era aceito com unanimidade pela comunidade científica. Na verdade, ele foi uma pedra no sapato, pois ele não se encaixava na teoria evolucionária. É claro, era um híbrido inventado com partes de ossos modernos.

Ele foi aceito por muitos apenas por ser um achado fabuloso para a época, o que é uma fraqueza humana, a qual todos nós estamos sujeitos.

A fraude durou por quarenta anos, gerando muita polêmica, pois seus grandes descobridores, Charles Dawson e Arthur Smith Woodward, proibiram o acesso a análises científicas, deixando o crânio fora do alcance de todos, dentro do Museu Britânico. Somente quando eles morreram, Piltdown foi desmascarado como a fraude que era. Vale ressaltar, desmascarado por cientistas, graças ao método científico.

Descobrir um erro não invalida o método científico, muito pelo contrário, ele apenas o fortalece. Assim sabemos que podemos confiar na ciência, pois ela se corrige, se aprimora, e se fiscaliza.

Interessante notar, após Piltdown ser descoberto como forjado, nenhum cientista jamais o citou como verdadeiro. No entanto, muitos criacionistas continuamente citam fraudes, não importando quantas vezes elas já foram desmascaradas, como as pegadas de humanos e dinossauros em Paluxy, esqueletos de gigantes, descoberta da Arca de Noé, Darwin se arrepender no leito de morte, citações de cientistas fora de contexto, etc.

Referências:

Harter, Richard, 1996. Piltdown Man: The bogus bones caper.

mais: ler aqui

Homem de Nebraska

O que dizem os criacionistas: De um dente, montaram a mandíbula. Da mandíbula, montaram o crânio. Do crânio, montaram o esqueleto. Do esqueleto, fizeram pele, cabelo e até a sua namorada ou esposa (agachada no desenho). Fizeram a famosa exposição sobre a evolução em Dayton, Tennessee, chamada de Scopes Trial, quando o Homem de Nebraska foi apresentado como prova incontestável da evolução. Quando William Jennings Bryan protestou contra os argumentos apresentados e pela insuficiência, riram-se dele ridicularizando-o. Em 1927 descobriram a fraude: O dente era de um porco chamado Peccary.

Fonte da pérola: Aqui

A verdadeira história:

A história não é bem assim.

O dente não foi considerado como evidência por muitos cientistas. A maioria deles na verdade eram céticos quanto à descoberta, diferente de como os criacionistas querem fazer parecer.

O próprio Henry Fairfield Osborn, paleontólogo que descreveu o dente, estava em dúvidas o dente pertencia aos hominídeos ou a outra espécie de primata:

“Até estarmos mais seguros quanto a arcada dentária, ou partes do crânio, ou do esqueleto, não podemos estar certos se o Hesperopithecus pertence aos Simiidae ou aos Hominidae.” (Osborn 1922)

O tal desenho que os criacionistas gostam de usar para ridicularizar a evolução, foi feito por uma revista de cunho popular, tipo Superinteressante ou Veja, e não foi nem jamais teve intenção de ser cientificamente correta. Tal desenho jamais foi publicado em trabalhos científicos.

Até Osborn se espantou ao ver o desenho, e disse que:

“Tal desenho ou ‘reconstrução’ seria com certeza apenas proveniente da imaginação humana, sem valor científico nenhum, e com certeza impreciso” (Wolf and Mellett 1985)

A alegação de que o Homem de Nebraska foi usado no Scopes “Monkey” Trial é mentirosa. Os criacionistas que mostrem as transcrições do julgamento se quiserem provar isso.

O Homem de Nebraska foi um exemplo de ciência funcionando bem. Uma descoberta intrigante foi encontrada, podendo ter várias implicações. A descoberta foi anunciada e vários outros experts a analisaram. Cientistas de início eram céticos. Mais evidências foram encontradas, e a conclusão foi que a interpretação inicial estava errada. Finalmente, a retratação foi publicada.

Referências:

Foley, Jim, 2001. Creationist arguments: Nebraska Man. http://www.talkorigins.org/faqs/homs/a_nebraska.html

Mellett, James S. and John Wolf, 1985. The role of “Nebraska man” in the creation-evolution debate. Creation/Evolution 16: 31-43. http://www.talkorigins.org/faqs/homs/wolfmellett.html

Gould, S. J., 1991. An essay on a pig roast. In Bully for Brontosaurus, pp. 432-47. New York: W.W.Norton.

Osborn H.F. (1922): Hesperopithecus, the anthropoid primate of western Nebraska. Nature, 110:281-3.

11. Todas as causas têm efeitos. A causa de “X” tem que ser “do mesmo tipo que “X”, ou seja, a causa da inteligência tem que ser inteligente. Além disto, se recuarmos no tempo em busca da causa de cada causa, é preciso concluir que vamos acabar encontrando uma primeira causa – Deus. O mesmo acontece com o movimento (todas as coisas em movimento devem ter tido um primeiro motor, um motor que não precisa de outro motor para se mover – Deus). Além disto, todas as coisas no universo têm um propósito, portanto tem que existir um projetista inteligente.

Se isto fosse verdade, então a natureza deveria ter uma causa natural, e não uma causa sobrenatural! Mas isto não é verdade: a causa de “X” não precisa ser “do mesmo tipo que “X”. A “causa” da tinta verde é tinta azul misturada com amarela, e nenhuma delas é verde. Esterco animal faz as árvores frutíferas crescerem melhor. As frutas são deliciosas de se comer e, portanto, nem um pouco parecidas com esterco! Os argumentos da primeira causa e do primeiro motor, brilhantemente proferidos por São Tomás de Aquino no século 14 e ainda mais brilhantemente refutados por David Hume no século 18, são facilmente respondidos com apenas mais uma pergunta: quem ou o que causou e moveu Deus? Além disto, como Hume demonstrou, “propósito” é muitas vezes uma coisa ilusória e subjetiva. “O pássaro que madruga pega a minhoca” é uma boa idéia se você for o pássaro, mas não se você for a minhoca. Dois olhos parece ser a quantidade ideal, mas, como Richard Hardison comentou, “não seria bom ter um olho a mais na nuca e ainda um outro na ponta do dedo indicador para ajudar quando você estivesse mexendo atrás do painel de um automóvel?” Propósito é, em parte, aquilo a que estamos acostumados. A verdade é que nem tudo foi lindamente projetado e com um propósito. Mesmo sem falarmos no problema do mal, das doenças e deformidades que os criacionistas convenientemente fingem não ver, a natureza está cheia de coisas bizarras e sem propósito aparente. Os bicos dos seios masculinos e o polegar dos pandas são apenas dois exemplos do que Gould gosta de exibir como estruturas mal projetadas e sem propósito. Se Deus graciosamente projetou a vida para se encaixar perfeitamente como as peças de um quebra-cabeças, como você explica essas esquisitices?

12. Uma coisa não pode ser criada a partir do nada, dizem os cientistas. Portanto, de onde veio o material para o Big Bang? E de onde vieram as primeiras formas de vida que deram origem à evolução? A experiência de Stanley Miller, que criou aminoácidos a partir de uma “sopa” orgânica e outras moléculas biogênicas não é a criação da vida.

A ciência não tem condições de responder a perguntas “definitivas” do tipo “O que havia antes do começo do universo?”, “Que horas eram antes do tempo começar?”, “De onde veio a matéria para o Big Bang?”. Estas perguntas são filosóficas ou religiosas, não científicas, e portanto não são parte da ciência. A teoria da evolução tenta entender as causas da mudança depois que o tempo e a matéria foram “criados” (seja lá o que isto signifique). Quanto às origens da vida, a bioquímica tem uma explicação bem racional e científica para a evolução de compostos inorgânicos para orgânicos, a criação de aminoácidos e a contrução de cadeias de proteínas, as primeiras e primitivas células e assim por diante (e Miller nunca afirmou ter criado vida, apenas algumas das partes que a formam). Embora estas teorias ainda tenham pontos fracos e estejam sujeitas a intensos debates científicos, já mostram que existe uma explicação razoável sobre como se avançou do Big Bang até o cérebro humano no universo que conhecemos.

Nota:

De acordo com Stephen Hawking em seu livro “O Grande Projeto”, perguntar o que havia antes do universo não faz sentido, assim como estabelecer uma causa primeira para o universo. Para haver uma causa primeira, temos de ter um tempo para que esta causa primeira ocorra. Tempo e espaço foram criados com o surgimento do universo. Portanto, esta causa primeira em “um tempo antes do tempo”, não faz sentido.

Este argumento da causa primeira é o conhecido argumento de Kalam, cuja origem se funda no pensamento do filósofo muçulmano Al Ghazali, sendo que inclui contribuições de filósofos judeus, cristãos e muçulmanos. Na atualidade é defendido por William Lane Craig.

O argumento se constitui do seguinte silogismo:
Tudo o que começa a existir tem uma causa.
O Universo começou a existir.
Logo, o Universo tem uma causa.
Da conclusão deste argumento infere-se que a causa primeira do universo é Deus.

A primeira premissa é geralmente discutida apenas no âmbito da filosofia, sendo a sua defesa mais comum apenas o “princípio metafísico” segundo o qual “do nada, nada vem”.

A segunda premissa possui certas implicações e derivações da cosmologia contemporânea bem como de outras áreas da física, como a da Teoria da Relatividade Geral. Em defesa desta, Craig e outros usam-se tanto de argumentos filosóficos quanto de pesquisas nestas áreas da ciência.

A conclusão segue naturalmente das premissas, e a dedução de que a Causa do universo é Deus é defendida observando-se que, dada a natureza da questão, tal Causa deve ser não-causada, sem começo, atemporal, imutável, não-espacial, imaterial e pessoal com inimaginável poder.

Inferir da conclusão que a causa do universo é Deus, é no mínimo duvidoso; primeiro pela questão do tempo para que a causa primeira ocorresse; segundo, que Deus seria uma mera consideração teológica, não falseável e portanto fora do escopo científico para ser atribuída como causa primeira de qualquer coisa. Também, não faria sentido postular que tal ser é atemporal, pois tempo e espaço somente existem com o surgimento de um universo. Além disso, qual seria o propósito de Deus em fazer um universo?

13. As estatísticas mostram que, à taxa atual de crescimento e considerando a população atual, havia apenas duas pessoas vivendo há, aproximadamente, 6.300 anos atrás, ou seja, 4300 a.C. Isto prova que a humanidade e a civilização são bem recentes. Se a Terra fosse mais velha, com um milhão de anos, por exemplo, após 25.000 gerações a uma taxa de crescimento de 0,5% e uma média de 2,5 crianças por família, a população de hoje seria de 10 elevado a 2.100 pessoas., o que é impossível, já que só há 10 elevado a 130 elétrons no universo conhecido.

Como Disraeli comentou (e Mark Twain repetiu), há três tipos de mentiras: “mentiras, mentiras descaradas e estatísticas”. Mas, se você quer jogar o jogo dos números, eis mais alguns: segundo esta análise, em 2.600 a.C. haveria uma população total na Terra de umas 600 pessoas. Nós sabemos com um alto grau de certeza que, em 2600 a.C., havia civilizações florescendo no Egito, Mesopotâmia, vale do rio Indo, China etc. Se, generosamente, dermos ao Egito 1/6 da população mundial, teriam sido necessários alguns milagres ou talvez a ajuda de antigos astronautas para que 60 pessoas conseguissem construir as pirâmides, sem falar em todos os outros monumentos arquitetônicos! O fato é que as populações não crescem de maneira constante. Há períodos de grande expansão e outros até com diminuição. A história da população humana antes da Revolução Industrial é uma série de momentos de crescimento e prosperidade seguidos por fome e declínio. A curva populacional está cheia de picos e vales ao longo dos milhares de anos em que a humanidade lutou para escapar da extinção, embora, em média, tenha sempre crescido, ainda que bem lentamente. Foi apenas a partir do século 19 que a taxa de crescimento se acelerou.

Ver aqui e aqui sobre crescimento populacional:

14. A seleção natural só causa pequenas mudanças nas espécies — microevolução. As mutações que os evolucionistas usam para explicar a macroevolução são sempre prejudiciais, raras e aleatórias, e não podem ser vistas como a força que impulsiona a mudança evolucionária.

Jamais esquecerei as quatro palavras que o biólogo evolucionista Bayard Bratstram martelava em nossos cérebros quando estudávamos na Universidade Estadual da Califórnia, em Fullerton — “Mutantes não são monstros”. O que ele queria dizer é que aquilo que o público em geral entende como mutação são as vacas de duas cabeças apresentadas em feiras rurais e coisas assim, mas não é este tipo de mutação que os evolucionistas estudam. Ninguém dirá que mutações assim são benéficas, mas a maioria das mutações são apenas pequenas aberrações genéticas ou cromossômicas que causam efeitos mínimos. Alguns destes pequenos efeitos podem ser benéficos a um organismo que vive num meio ambiente sujeito a constantes variações. Além disto, a teoria moderna da “especiação alopátrica”, sugerida por Ernst Mayr e integrada à paleontologia por Eldredge e Gould, demonstra precisamente como a seleção natural, em conjunto com outras forças e circunstâncias da natureza, pode produzir — e produz — novas espécies.

Nota: especiação alopátrica ou geográfica é o surgimento de novas espécies devido ao isolamento geográfico.

15 . Não há fósseis de transição em nenhum lugar, incluindo e especialmente humanos. O registro fóssil inteiro é uma coisa embaraçosa para os evolucionistas. Os neandertais, por exemplo. Não passam de esqueletos doentes — artrite, deformações por desnutrição etc., o que explica as pernas arqueadas, supercílio saliente e esqueleto maior. E o Homo Erectus e o Autralopithecus são apenas macacos.

Os criacionistas sempre citam o famoso trecho de “A origem da espécies”, de Darwin, onde ele pergunta: “Por que então todas as formações geológicas e todos os estratos não são ricos em formas intermediárias? O certo é que a geologia não revela nenhuma cadeia orgânica com uma progressão perfeitamente gradual e talvez seja esta a mais grave objeção que possa ser anteposta à minha teoria”. Uma resposta é que exemplos de fósseis transicionais foram descobertos em abundância desde a época de Darwin.

Basta pesquisar em qualquer texto sobre paleontologia. Uma segunda resposta foi fornecida em 1972 por Eldredge e Gould, quando eles mostraram que lacunas no registro fóssil não indicam falta de dados sobre uma mudança lenta e gradual. Na verdade, isto é evidência de mudanças súbitas em determinadas ocasiões.

Usando a “especiação alopátrica” de Mayr, onde populações “fundadoras” pequenas e instáveis ficam isoladas na periferia de populações maiores, eles mostraram que a mudança relativamente rápida nestas pequenas populações cria novas espécies, mas deixa para trás poucos fósseis, quando deixa.

O processo de fossilização ocorre raramente. Ele quase não existe durante esses tempos de especiação rápida. A falta de fósseis é uma evidência de que a mudança foi rápida, e não uma falta de evidência de evolução gradual.

16. A Segunda Lei da Termodinâmica prova que a evolução não pode ter ocorrido, já que o universo e a vida se movem do caos para a ordem e do simples para o complexo, o oposto exato da entropia prevista pela Segunda Lei.

Em primeiro lugar, em qualquer escala de tempo que não seja a maior de todas — 600 milhões de anos de vida sobre a Terra — as espécies não evoluem do simples para o complexo e a vida não se move assim tão simplesmente do caos para a ordem. A história da vida é toda marcada por começos fracassados, experiências que falharam, pequenas extinções e extinções em massa, e recomeços caóticos. Não se parece nem um pouco com aquelas figuras coloridas das revistas que mostram a vida evoluindo da primeira célula viva até os humanos.

Entretanto, mesmo numa escala maior de tempo, a Segunda Lei permite esta mudança porque a Terra está dentro de um sistema que recebe energia externa do Sol continuamente. Enquanto o Sol brilhar, a vida poderá continuar progredindo e evoluindo, da mesma forma que os automóveis podem ser protegidos da corrosão, hambúrgueres podem ser aquecidos no forno e muitas outras coisas que parecem violar a Segunda Lei e a entropia podem continuar existindo. Mas, assim que o Sol se apagar, a entropia voltará a aumentar e a vida acabará. A Segunda Lei da Termodinâmica se aplica a sistemas fechados e isolados. Como a Terra recebe um fluxo constante de energia do Sol, a entropia deve diminuir e a ordem aumentar (mesmo que o Sol esteja caminhando para o fim durante este processo).

Deste modo, a Terra não é exatamente um sistema fechado e a vida pode evoluir sem violar a lei natural. Além disto, pesquisas recentes sobre a teoria do caos mostram que a ordem pode ser e é gerada espontaneamente a partir de um caos aparente, sem violar a Segunda Lei da Termodinâmica. A evolução não contraria a Segunda Lei da Termodinâmica assim como não se contraria a lei da gravidade quando se dá um pulo.

17. Até mesmo a mais simples forma de vida é complexa demais para ter surgido aleatóriamente. Considere um organismo simples constituído de apenas 100 partes. Matematicamente, há 10 elevado a 158 possíveis maneiras de se combinarem as partes. Não há moléculas suficientes no universo para atingir este número ou tempo desde o início do universo para que todas essas possíveis combinações ocorram até mesmo numa forma de vida tão simples, quanto mais num ser humano. O próprio olho humano sozinho já é difícil de se explicar por meio de uma evolução aleatória. Equivale a um macaco conseguir digitar Hamlet ou mesmo apenas “to be or not to be”. Não acontecerá por acaso.

A seleção natural não é “aleatória” nem funciona com base no “acaso”. A seleção natural preserva o que dá certo e elimina os erros. O olho evoluiu de uma única célula sensível à luz até o complexo olho de hoje em dia através de centenas, talvez milhares de passos intermediários, muitos dos quais ainda existem na natureza. Para que o macaco conseguisse digitar as 13 primeiras letras do monólogo de Hamlet por sorte, seriam necessárias 26 elevado a 13 tentativas.

Isto é 16 vezes o tempo que decorreu desde o início do sistema solar. Porém, se cada letra correta é preservada e cada letra incorreta é eliminada, o processo ocorre muito mais rápido. Quanto mais rápido? Richard Hardison criou um programa de computador que selecionava as letras, mantendo as certas e eliminando as erradas, e só foram necessárias 335,2 tentativas para se chegar à sequência de letras TOBEORNOTTOBE. O computador levou menos de 90 segundos para isto. A peça inteira de Shakespeare pode ser “montada” em uns 4,5 dias!

18. A separação hidrodinâmica durante o Dilúvio explica a aparente sequência de fósseis ao longo dos estratos geológicos. Os organismos mais simples e ignorantes morreram no mar e estão nas camadas inferiores, enquanto que os mais complexos, inteligentes e rápidos morreram em locais mais elevados.

Será que nem um único trilobita flutuou até um estrato superior? Será que nem um único cavalo burro estava na praia e se afogou num estrato inferior? Nenhum pterodáctilo voador conseguiu chegar acima da camada do Cretáceo? Não houve nenhum ser humano idiota que não tentou fugir da chuva? Falando de argumentos absurdos, tente imaginar como um barco de 150m de comprimento por 25m de largura e 15m de altura conseguiria abrigar dois indivíduos de cada uma das espécies na Terra, algo entre 10 a 100 milhões delas.

Isto é um problema até para os criacionistas, portanto eles alegam que só havia 30.000 espécies, sendo que o resto se desenvolveu a partir deste grupo inicial, o que faz dos criacionistas os maiores defensores da evolução rápida! Além disto, como você alimentaria 60.000 animais por 371 dias? Pior ainda, como você impediria que 60.000 animais devorassem uns aos outros? E o pior de tudo, quem cuidava da limpeza?

Nota: para tal problema, surge uma grande criação de criacionistas: A BARAMINOLOGIA!!!

Baraminologia é um modelo de classificação dos seres vivos, proposto pelo Dr. Frank L.Marsh. Ele propôs que deveríamos classifica os seres vivos de acordo com a sua capacidade de combinação genética, ou seja, os grupos que tem capacidade genética de cruzarem entre si pertenceriam à mesma espécie básica criada – ou baramin. Este princípio foi aceito por muitos criacionistas, pois acredita-se que as espécies originalmente criadas por Deus se diversificaram, e abrangem estes grupos (capazes de, geneticamente cruzarem entre si).

Em contraste com o princípio evolucionário de ascendência totalmente comum (todas as espécies e seres teriam vindo de um mesmo ancestral), biólogos criacionistas defendem que toda a vida na Terra não está relacionada com uma única célula, – mas que a vida foi criadaem um número finito de diversas formas, que posteriormente sofreram especiação (isolamento reprodutivo) e maciça mudança genética ao longo de milhares de gerações. Apesar de diversos organismos compartilharem de ascendência comum na biologia criacionista, não trata-se de evolução das espécies, mas dum processo de diversificação dos tipos ou formas básicas criadas originalmente.

RESUMINDO: sem comentários…

19. As técnicas de datação dos evolucionistas estão erradas, não merecem confiança e chegam a resultados aleatórios. Elas dão a falsa impressão de que a Terra é muito antiga quando, na verdade, ela não tem mais que 10 mil anos, o que já foi demonstrado pelo Dr. Thomas Barnes, da Universidade do Texas, em El Paso. Ele provou que a meia-vida do campo magnético da Terra é de 1.400 anos.

Em primeiro lugar, o argumento do campo magnético de Barnes assume erradamente que o decaimento do campo magnético é linear quando, na verdade, a geofísica demonstra que ele flutua ao longo do tempo.

Além disto, chega a ser engraçado ver como os criacionistas descartam sem maiores comentários todas as técnicas de datação exceto aquelas que parecem confirmar suas crenças. Acontece que as várias técnicas de datação já provaram não apenas ser bastante confiáveis como também confirmam os resultados umas das outras. Por exemplo, as datações obtidas usando-se diferentes elementos em uma mesma rocha indicam todas a mesma antiquidade.

20. A classificação dos organismos acima do nível das espécies é arbitrária e inventada por humanos. A taxonomia não prova nada.

A ciência da classificação é, sem dúvida, uma criação do homem, assim como todas as ciências. Entretanto, o agrupamento dos organismos não tem nada de arbitrário, ainda que haja alguma subjetividade envolvida. O objetivo básico da cladística é fazer com que a taxonomia não seja subjetiva. A classificação hierárquica dividida em itens e sub-itens é uma das principais fontes de evidências de que houve uma evolução. Não há nada arbitrário, por exemplo, em se classificar humanos e chimpanzés em separado.

Ninguém confunde um com o outro. Um teste interessante desta afirmação é perceber que culturas diferentes chegam às mesmas conclusões. Por exemplo, biólogos ocidentais e nativos da Nova Guiné identificam os mesmos tipos de pássaros como sendo espécies separadas. Tais agrupamentos realmente existem na natureza.

21. Se a evolução fosse gradual, não deveria haver lacunas entre as espécies, tornando a classificação (taxonomia) impossível.

A evolução nem sempre é gradual. Com frequência, ela é esporádica. E os evolucionistas nunca disseram que não deveria haver lacunas.

As lacunas não provam o criacionismo assim como períodos não documentados da história humana não provam que civilizações surgiram de repente.

22. “Fósseis vivos” como o celacanto e o caranguejo-ferradura (límulo) provam que toda a vida foi criada de uma só vez.

Neste caso, o que dizer de todas as espécies extintas? Foram erros de Deus? Fósseis vivos (organismos que não mudaram por milhões de anos) apenas indicam que eles se adaptaram de uma tal forma ao seu meio ambiente estático e sem mudanças que não precisaram mudar mais.

23. O problema das estruturas incompletas refuta completamente a seleção natural: uma nova estrutura que se desenvolve lentamente ao longo do tempo não representaria uma vantagem para o organismo no início ou nos estágios intermediários, e sim apenas quando já estivesse totalmente desenvolvida, o que só acontece por meio de criação divina. Por exemplo: de que servem 5% de uma asa ou 55%? Para ser útil, tem que ser tudo ou nada.

Uma asa incompleta pode ser alguma outra coisa completa, como um regulador térmico para répteis ectotérmicos (que dependem de fontes externas de calor).

E não é verdade que uma coisa em seus estágios iniciais seja completamente inútil. É melhor ter visão parcial que cegueira completa. É uma vantagem ser capaz de planar, mesmo que você não consiga um vôo totalmente controlado.

24. Estruturas homólogas (a asa do morcego, a nadadeira da baleia, o braço humano) são uma prova do design inteligente.

É claro que, se apelarem para milagres e intervenções divinas, os criacionistas podem selecionar e escolher qualquer coisa na natureza como prova da ação de Deus e então ignorar o resto. Por outro lado, as estruturas homólogas não fazem nenhum sentido se partirmos do princípio de que Deus criou tudo do jeito que é hoje. Por que uma baleia deveria ter os mesmos ossos em sua nadadeira que um homem tem em seu braço ou um morcego em sua asa?

Não há nenhum motivo. Um designer inteligente poderia fazer bem melhor que isto. Pelo contrário, estas estruturas similares indicam uma ancestralidade comum seguida de modificações, e não uma criação divina.

25. “A Bíblia é o registro da Palavra de Deus … tudo o que ela afirma é histórica e cientificamente verdadeiro. O Dilúvio universal descrito no Gênesis foi um evento histórico, e com efeito e extensão mundiais. Nós somos uma organização de homens de ciência cristãos que aceitam Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador. A narrativa da criação divina de Adão e Eva como um homem e uma mulher e sua posterior queda em pecado são a base para nossa crença na necessidade de um Salvador para toda a humanidade”.

Uma tal declaração de fé é claramente religiosa, e não científica. Isto não a torna necessariamente errada, só que o criacionismo científico é, na verdade, criacionismo religioso e, desta forma, ultrapassa a barreira que separa religião e Estado.

Em escolas particulares fundadas e/ou controladas por criacionistas, é direito deles ensinar a suas crianças o que quer que seja que eles queiram. Entretanto, querer que o Estado force os professores a ensinar uma doutrina religiosa como se fosse científica é irracional e oneroso.

Nota: Discordo que mesmo em escolas particulares criacionistas seja direito deles ensinarem suas crianças errado ou fazer doutrinação em sala de aula. Ao menos aqui no Brasil, o ensino do criacionismo é violação de regra constitucional quanto à educação, uma vez que prejudica sua qualidade.

O ensino do criacionismo, contra a teoria evolutiva, o mesmo que se ensinar que Roma jamais existiu, ou que as pirâmides foram feitas por ETs, ou que um quadrado tem 5 lados. Está errado e ponto.

O MEC possui uma diretriz básica para o ensino, sendo que as escolas recebem uma concessão do Estado para atuarem.

Portanto, devem seguir as diretrizes do MEC (ao contrário da escola dominical adventista – onde a maioria dos zumbis criacionistas deve ter estudado ciências naturais…).

O ensino deve seguir a ordem constitucional, que é imposta a todos e as determinações do MEC. Contrapontos entre um pensamento e outro devem ser considerados. Mas quando um dos lados foje completamente à racionalidade e não traz nada de concreto, deve ser posto de lado.

CRIACIONISMO VERSUS EVOLUCIONISMO

FONTE: http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT884203-1664-9,00.html

ELIANE BRUM (TEXTO)

O TABULEIRO DA DISCÓRDIA

Conheça os argumentos dos criacionistas na tentativa de desacreditar a Teoria da Evolução. E confira o que a Ciência diz
CRIACIONISMO X EVOLUCIONISMO
Deus criou o homem e os demais seres vivos já na forma atual há menos de 10 mil anos
X
O homem e os demais seres vivos são resultado de uma lenta e gradual transformação que remonta há milhões de anos
Os fósseis (inclusive de dinossauros) são animais que não conseguiram embarcar na Arca de Noé a tempo de salvarem-se do dilúvio
X
Os fósseis e sua datação remota confirmam que a extinção de espécies também faz parte do processo evolutivo
Deus teria criado todos os seres vivos seguindo um propósito e uma intenção
X
As transformações evolutivas são resultado de mutações genéticas aleatórias expostas à seleção natural pelo ambiente
O homem foi feito à imagem e semelhança de Deus e, portanto, não descende de primatas
X
O homem não é descendente dos primatas atuais, mas tem uma relação de parentesco. Ambos descendem de um ancestral comum já extinto
Não há como comprovar a hipótese evolutiva em laboratório e, portanto, ela não é científica
X
Seres vivos com ciclo de vida mais curto comprovam a evolução por seleção e adaptação, como no caso de populações de bactérias resistentes a determinados antibióticos
Desde Darwin, vários aspectos de sua teoria já foram revistos, o que prova sua inconsistência
X
Apenas detalhes científicos que ainda não estavam claros no tempo em que Darwin viveu, como os avanços na área da Genética e da Biologia Molecular, foram revistos. No essencial, a teoria é válida há 145 anos
A Segunda Lei da Termodinâmica demonstra que os sistemas tendem naturalmente à entropia (desorganização)
X
A Segunda Lei da Termodinâmica não se aplica a sistemas abertos, como os seres vivos
A perfeição dos seres vivos comprova a existência de um Criador inteligente
X
Os seres vivos são complexos, mas longe de serem perfeitos. O apêndice humano é um exemplo de estrutura residual sem função
Mesmo admitindo a Evolução, ela só poderia ser de origem divina por caminhar sempre no sentido da maior complexidade e do aperfeiçoamento biológico
X
A evolução não caminha sempre para a maior complexidade. Insetos atuais são mais simples que seus ancestrais já extintos. Nem sempre evolução significa melhoria, apenas maior adaptação ao meio ambiente
A origem da vida ainda não é explicada de modo satisfatório pelos evolucionistas
X
Aspectos fundamentais envolvendo a origem da vida ainda precisam ser mais bem esclarecidos, mas o método científico e não-dogmático é o caminho mais adequado para atingir esses objetivos

acesse : http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT884203-1664-9,00.html

mitologia –

TEXTO 1

Mitologia
Uma das formas que o homem encontrou para explicar o mundo
Antonio Carlos Olivieri*

Por considerar a raça humana irremediavelmente perdida e cheia de defeitos, Zeus, o soberano dos deuses, resolveu acabar com ela. Para isso, provocou um dilúvio no mundo para afogar a humanidade. Apenas o casal formado por Deucalião e Pirra seria poupado, em virtude de sua bondade. Zeus os aconselhou a construírem uma arca e se abrigarem nela. Depois de flutuar nove dias e nove noites, sobre as águas da tormenta, a arca parou no topo de uma montanha, onde o casal desembarcou.

Quando as águas baixaram, apareceu Hermes, o mensageiro de Zeus, e lhes disse que o soberano satisfaria qualquer desejo dos dois. Deucalião lhe disse que queriam ter amigos. Hermes determinou que ambos jogassem por cima dos ombros pedras recolhidas do chão. As pedras jogadas por Deucalião se transformaram em homens ao atingir o solo. As pedras de Pirra tornaram-se mulheres e, assim, o mundo foi repovoado.

Muito semelhante ao episódio do dilúvio bíblico, esse mito grego narra a destruição e o ressurgimento da humanidade na Terra. De fato, a mitologia, entre os povos antigos ou primitivos, era uma forma de se situar no mundo, isto é, de encontrar o seu lugar entre os demais seres da natureza.

Era também um modo de estabelecer algumas verdades que não só explicassem parte dos fenômenos naturais ou culturais, mas que ainda dessem formas para a ação humana. Não sendo, porém, nem racional nem teórico, o mito não obedece a lógica nem da realidade objetiva, nem da verdade científica. Trata-se de uma verdade intuída, que dispensa provas para ser aceita.

À mercê de forças naturais

O mito pode ter nascido do desejo e da necessidade de dominar o mundo, para fugir ao medo e à insegurança. À mercê das forças naturais, que são assustadoras, o homem passou a lhes atribuir qualidades emocionais. As coisas não eram consideradas como matéria morta, nem como independentes do sujeito que as percebe: o próprio ser humano.

As coisas, ao contrário, eram vistas como plenas de qualidades, podendo tornar-se boas ou más, amigas ou inimigas, familiares ou sobrenaturais, fascinantes e atraentes ou ameaçadoras e repelentes. Assim, o homem se movia num mundo animado por forças que ele precisava agradar para haver caça abundante, para fertilizar a terra, para que a tribo ou grupo fosse protegido, para que as crianças nascessem e os mortos pudessem ir em paz para o além.

Mito, magia e desejo

O pensamento mítico, portanto, está muito ligado à magia e ao desejo de que as coisas aconteçam de um determinado modo. A partir dele desenvolveram-se os rituais, como técnicas de obter os acontecimentos desejados. O ritual é o mito em ação. Já nas cavernas de Lascaux e Altamira, o homem do Paleolítico (12.000 a 5.000 a.C.) desenhava os animais – com um estilo muito realista, diga-se de passagem – e depois os atacava com flechas, para garantir o êxito da caçada.

O mito tem funções determinadas nas sociedades antigas e primitivas. Inicialmente, ele serve para acomodar e tranqüilizar o homem num mundo perigoso e assustador, dando-lhe segurança. O que acontece no mundo natural passa a depender, através de suas ações mágicas, dos atos humanos. Além disso, o mito também serve para fixar modelos exemplares de todas as atividades humanas.

Atualizando o sagrado

O ritual é a repetição dos atos dos deuses, que foram executados no início dos tempos e que devem ser imitados e repetidos para as forças do bem e do mal se manterem sob controle. Desse modo, o ritual é uma atualização dos acontecimentos sagrados que tiveram lugar no passado mítico.

Assim, o mito é uma primeira narrativa sobre o mundo, uma primeira atribuição de sentido ao mundo, na qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel. Sua função principal não é propriamente a de explicar a realidade, mas a de adaptar psicologicamente o homem ao mundo.

O mito primitivo é sempre um mito coletivo. O grupo, cuja sobrevivência precisa ser assegurada, existe antes do indivíduo. É só através do grupo que os sujeitos individuais se reconhecem enquanto tal. O indivíduo só tem consciência, só se conhece como parte do grupo, da tribo. Através da existência e do reconhecimento dos outros, ele se afirma enquanto ser humano.

A prevalência da fé

Outra característica do mito é a de apresentar-se como uma verdade que não precisa ser provada e que não admite contestação. A sua aceitação decorre da fé e da crença. Não é uma aceitação racional, fundamentada em provas e raciocínios.

Sob essa perspectiva coletiva, a transgressão da norma, a não-obediência da regra afeta o transgressor e toda sua família ou comunidade. Desse modo é criado o tabu – a proibição -, cuja desobediência é extremamente grave. Só os ritos de purificação podem restaurar o equilíbrio da comunidade e evitar que o castigo dos deuses recaia sobre todos.

A imortalidade do mito

Mas e quanto aos nossos dias? Por acaso não existem mais mitos? O pensamento filosófico e científico, que tiveram início com os primeiros filósofos, na Grécia do século 6 a.C., teriam ocupado todo o lugar do conhecimento e condenado à morte o modo mítico de nos situarmos no mundo?

Essa é a posição defendida por Augusto Comte, filósofo francês do século 19, fundador de uma corrente filosófica chamada positivismo. As idéias positivistas explicam a evolução da espécie humana em três fases: a mítica (religiosa), a filosófica (metafísica) e a científica. Esta última seria o ápice do desenvolvimento humano e não só é considerada superior às outras, como também seria a única válida para se chegar à verdade.

Além da razão

Porém, ao opor a razão ao mito, o positivismo empobrece a realidade humana. O homem moderno, tanto quanto o antigo, não é constituído só de razão, mas também de afetividade e emoção. Se a ciência é importante e necessária à nossa construção de mundo, por outro lado ela não oferece a única interpretação válida do real.

Negar o mito é negar uma das formas fundamentais da existência humana. O mito é a primeira forma de dar significado ao mundo: fundamentada no anseio de segurança, a imaginação cria histórias que nos tranqüilizam, que são exemplares e nos orientam no dia-a-dia.

Os super-heróis e os salvadores da pátria

Na verdade, independentemente de nosso desenvolvimento intelectual, o mito continua a nos acompanhar. Sua função de criar narrativas mágicas subsiste, por exemplo, na arte e permeia a nossa vida diária.

Atualmente, os meios de comunicação de massa trabalham os desejos e anseios que existem na nossa natureza inconsciente e primitiva. Os super-heróis dos desenhos animados e das histórias em quadrinhos, por exemplo, encarnam o Bem e a Justiça e assumem a nossa proteção imaginária, exatamente por que o mundo moderno, com todos os seus problemas, especialmente nos grandes centros urbanos, revela-se cada vez mais um lugar extremamente inseguro.

Da mesma maneira, no plano político, certas figuras procuram se transformar em heróis populares, dizendo lutar contra as injustiças sociais e os privilégios. Também artistas e esportistas podem ser transformados em modelos de existência: são fortes, saudáveis, bem alimentados, etc. Até as telenovelas, ao trabalhar a luta entre o Bem e o Mal, estão lidando com valores míticos, pré-reflexivos, que se encontram dentro de todos nós.

Além de mitos, o mundo moderno também tem seus rituais. Afinal, as festas de formatura, de Ano Novo, os trotes dos calouros, os bailes de quinze anos, não são em tudo semelhantes aos antigos rituais de passagem das velhas tribos e clãs?

*Antonio Carlos Olivieri é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação.

Fonte:http://educacao.uol.com.br/historia/mitologia-uma-das-formas-que-o-homem-encontrou-para-explicar-o-mundo.jhtm

TEXTO 2

Criacionismo

1. POR QUE TANTA GENTE ESTÁ FALANDO DISSO?

A doutrina religiosa – que interpreta o Velho Testamento literalmente e diz que Adão e Eva deram origem à toda a humanidade – confronta a teoria científica proposta por Charles Darwin para a evolução das espécies. Ela é defendida pelas alas religiosas conservadoras, mas ganhou muitos adeptos com a ascensão da direita religiosa nos EUA. Desde 1999, políticos conservadores de 20 estados americanos propõem banir o evolucionismo das provas e ensinar as duas teorias como possibilidades.

2. QUAIS AS DIFERENÇAS ENTRE AS DUAS TEORIAS?

Para os criacionistas, Deus criou a Terra e os humanos em algum momento nos últimos 10 mil anos. Macacos e humanos não têm ancestrais comuns e a geologia terrestre é explicada por catástrofes divinas, como o dilúvio da Arca de Noé. Os evolucionistas estimam que a Terra tenha ao menos 4,5 bilhões de anos e que apenas uma troca de letras no DNA diferencia humanos e macacos.

3. TODOS OS CIENTISTAS CONCORDAM COM DARWIN?

A maioria sim. Mas uma teoria atual, chamada “desenho inteligente”, arrebanhou cientistas respeitados (como o bioquímico Michael Behe) ao dizer que humanos, animais e plantas são complexos demais e precisariam de um designer (que poderia ser Deus) para projetá-los com perfeição.

por Bruno Vieira Feijó

Fonte: http://super.abril.com.br/religiao/criacionismo-446108.shtml

 

 

texto 3

Teoria da Evolução

A Teoria da Evolução é fruto de pesquisas, ainda em desenvolvimento, iniciadas pelo legado deixado pelo cientista inglês Charles Robert Darwin e pelo naturalista britânico Alfred Russel Wallace.

Em suas pesquisas, ocorridas no século XIX, Darwin procurou estabelecer um estudo comparativo entre espécies aparentadas que viviam em diferentes regiões. Além disso, ele percebeu a existência de semelhanças entre os animais vivos e em extinção. A partir daí, concluiu que as características biológicas dos seres vivos passam por um processo dinâmico em que fatores de ordem natural seriam responsáveis por modificar os organismos vivos. Ao mesmo tempo, ele levantou a ideia de que os organismos vivos estão em constante concorrência e, a partir dela, somente os seres melhores preparados às condições ambientais impostas poderiam sobreviver.

Por perceber que se tratava de descobertas polêmicas, e que contrariavam ideiasconsideradas absolutas, como a de que as espécies eram imutáveis, Darwin teve receio em divulgá-las. Wallace, que admirava de longe o prestígio do famoso naturalista, enviou a ele alguns de seus escritos acerca de ideias que estava desenvolvendo. Surpreendentemente, ambos estavam estudando o mesmo fenômeno – constatação esta que encorajou Darwin a abrir mão de seu segredo e publicar, juntamente com Wallace, suas descobertas, em 1858.

Contando com tais premissas, esta teoria afirma que o homem e o macaco possuem uma mesma ascendência, a partir da qual estas e outras espécies se desenvolveram ao longo do tempo. Contudo, isso não quer dizer, conforme muitos afirmam, que Darwin supôs que o homem é um descendente do macaco. Em sua obra, A Origem das Espécies, ele sugere que o homem e o macaco, em razão de suas semelhanças biológicas, teriam um mesmo ascendente em comum.

A partir dessas afirmações e dispondo de outras áreas da ciência, como a Genética e a Biologia Molecular, vários membros da comunidade científica, ao longo dos anos, se lançaram ao desafio de compreender o processo de variação e adaptação de populações ao longo do tempo, e o surgimento de novas espécies a partir de outra preexistente.

Quanto a uma das espécies estudadas, Homo sapiens sapiens, surgida há aproximadamente 120 mil anos, sabe-se que esta tem parentesco com os antigos hominídeos. Este grupo, que surgiu há mais de quatro milhões de anos, contempla, além de nós, o Homo habilis (2,4 – 1,5 milhões de anos) o Homo erectus (1,8 – 300 mil anos), o Homo sapiens neanderthalensis, com cerca de 230 a 30 mil anos de existência, e vários outros. Uma constatação interessante é a de que hominídeos de espécies diferentes já coexistiram em um mesmo período.

No dia a dia, costumamos nos referir à expressão “teoria” como sendo algo superficial, simplório, uma especulação. Entretanto, nas investigações científicas, o termo se refere a uma hipótese confirmada por inúmeras experimentações, com alto grau de precisão, durante muito tempo. Assim, estas são dignas de bastante credibilidade. A Teoria da Evolução, assim como a Teoria da Gravitação Universal, são alguns exemplos.

Criacionismo
Pré-História americana
Pré-História brasileira
Por Rainer Sousa, Graduado em História
e Mariana Araguaia, Graduada em Biologia

Fonte: http://www.brasilescola.com/historiag/evolucionismo.htm

 

 

TEXTO 4

NEOCRIACIONISMO

O texto abaixo apresenta as principais caraterísticas da concepção neocriacionista

O desenho inteligente

Os criacionistas dizem que o ser humano é complexo demais para ser fruto do acaso. A vida, para eles, seguiu alguma espécie de desenho inteligente.

Como começou o universo? “Com o Big Bang”, responderão nove entre dez especialistas. Big Bang, ou a grande explosão, é o fenômeno que permitiu, há 15 bilhões de anos, que uma minúscula bola de fogo, de extrema densidade e altíssima temperatura, se expandisse e esfriasse dando origem às galáxias e a tudo o que existe no espaço. O Big Bang é apenas uma hipótese, claro. Mas pouca gente discorda dessa idéia, concebida pelos físicos no início do século XX. Agora, pergunte como a vida começou na Terra e você terá uma boa chance de iniciar um acalorado bate-boca. Seres vivos são as coisas mais complexas do universo. Ao contrário de rochas e nuvens, eles exibem qualidades, habilidades e competências que despertam inúmeras perguntas.

A vida surgiu por acaso ou a partir de uma vontade superior? Os seres vivos sempre tiveram a aparência atual ou sofreram transformações ao longo do tempo? Os animais de diferentes espécies apresentam algum grau de parentesco? Temos todos um ancestral comum? Até hoje, a tentativa de responder a essas perguntas opõe cientistas e, sobretudo, cientistas e religiosos, os herdeiros das primeiras tentativas de explicar a origem da vida. O confronto entre ciência e céu começou no século XVIII, quando surgiram novas teorias que contradiziam as antigas crenças numa vida planejada por um ser superior. O ponto alto da discórdia foi a publicação, em 1859, do livro A Origem das Espécies por Meio da Seleção Natural, do naturalista inglês Charles Darwin. A vida, dizia Darwin, resultou de mutações aleatórias da matéria a partir de modelos extremamente simples. E foi evoluindo por meio de uma seleção adaptativa dessas mutações, guiada pela necessidade de sobrevivência.

Na época, o naturalista escandalizou a Igreja e todos os defensores da idéia de um desígnio superior na criação – os chamados criacionistas. Mas, em pouco tempo, a teoria darwinista convenceu a maioria dos cientistas e se espalhou pelo mundo. Seu conceito de evolução passou a permear da medicina à sociologia, da psicologia à economia. Darwin, hoje em dia, é invocado para iluminar assuntos tão diversos quanto a competição entre empresas e a culinária regional. Na maioria dos países, inclusive o Brasil, o darwinismo é a única teoria sobre a origem da vida estudada nas escolas.

Todo esse sucesso da visão cientificista não chegou a sepultar as controvérsias do passado. A velha polêmica está de volta, agora com nova roupagem e argumentos mais sofisticados. A recente ofensiva contra Darwin, travada principalmente nos Estados Unidos, tem como desafiante um grupo de biólogos, matemáticos e bioquímicos empenhado em provar a inconsistência do evolucionismo com base na biologia molecular. Para eles, a complexidade da vida requer a existência de um “planejamento inteligente”.

“A teoria de Darwin pode explicar cascos de cavalos, mas não os alicerces da vida”, diz o bioquímico Michael Behe, professor da Universidade Lehigh, na Pensilvânia, Estados Unidos, e autor do livro A Caixa Preta de Darwin, uma das peças fortes na divulgação do planejamento inteligente. Do outro lado, a resposta vem também em tom de briga. “A função de um bioquímico é ocupar-se com problemas que envolvem os elementos”, diz o biólogo Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, Inglaterra, autor de uma coletânea de livros evolucionistas. “Não é vomitar idéias apressadas sobre um suposto projeto sobrenatural só porque ainda não se sabe como algumas reações químicas evoluíram.”

Para entender o que está se passando, é melhor conhecer primeiro o que propõem as duas teorias em jogo nesse confronto. De um lado, Darwin disse que a vida começou espontaneamente no momento em que uma sopa primordial de elementos químicos, submetida às condições da Terra primitiva, produziu pela primeira – e única vez – uma molécula replicante. Mudanças graduais ocorridas por acaso permitiram a formação, ao longo de bilhões de anos, de seres cada vez mais complexos.

A evolução consiste basicamente na repetição incessante da reprodução, por meio da qual a geração anterior passa à seguinte os genes herdados de seus ancestrais, mas com pequenos erros – as mutações. Isso acontece de forma aleatória, segundo Darwin, e é praticamente imperceptível. No decorrer das gerações, no entanto, haveria uma espécie de seleção das mutações que seriam mais úteis à sobrevivência. É o que Darwin chamou de seleção natural, uma espécie de filtro da natureza evidenciado pelo fato de que o número de indivíduos, numa geração, que sobrevivem e conseguem deixar descendentes é sempre menor que o número dos que nasceram. Os felizardos seriam aqueles selecionados pela natureza em razão de suas características de adaptação ao ambiente. Com o tempo, as seleções acabam por estabelecer diferenças tão drásticas entre descendentes de um mesmo ancestral que já não persistem os traços básicos da espécie original.

Dá-se, então, o surgimento de outro tipo de animal. (Esse seria um dos motivos pelos quais você não se identificaria com um Australopithecus afarensis, nosso alegado ancestral de 3,5 milhões de anos, que hoje passaria batido ao lado de alguns macacos no zoológico.)

Já para os chamados neocriacionistas – aqueles que, comparados aos criacionistas originais que lêem a Bíblia ao pé da letra, têm um discurso muito mais apurado – a vida não tem nada de aleatório e parece ter seguido algum desenho inteligente. A prova seria a complexidade dos sistemas celular e molecular: verdadeiras máquinas cujas partes independentes estão tão estreitamente interligadas que a ausência de um único componente é o bastante para impedir que elas funcionem. É o que o bioquímico Michael Behe denomina com o palavrão “complexidade irredutível”: um sistema que existe apenas se todos os seus mecanismos estiverem ali para servir o todo. Órgãos como o olho humano e o sistema de coagulação do sangue seriam os exemplos mais evidentes desse modelo. Eles só conseguem trabalhar quando todas as suas “peças” estão encaixadas. Ou seja: essa engenharia cheia de detalhes e de encaixes únicos e precisos não poderia ser fruto de mudanças aleatórias.

Outra confirmação disso seria o fato de que até hoje não foram encontrados registros de animais transicionais (um fóssil de animal que fosse exatamente uma transição de uma espécie para outra).

Para os darwinistas, a idéia de que a vida seguiu um plano inteligente é apenas um jeito novo de dizer que Deus criou do nada todos os seres. A velha idéia presente no Gênesis, o primeiro livro da Bíblia, e no discurso do fundamentalismo cristão americano – desde a década de 1920 empenhado numa cruzada anti-evolucionista. Mas os teóricos do planejamento inteligente afirmam que eles nada têm a ver com o criacionismo de raiz religiosa. “Essa teoria não especula sobre a existência de um Criador ou suas intenções”, diz o matemático William Dembsky, professor da Baylor University, nos Estados Unidos, e um dos líderes da nova escola. “Ela apenas constata que a complexidade dos seres vivos sugere um desenho inteligente.” As duas premissas dos neocriacionistas, segundo Dembsky, não englobam nenhum dos seis pontos básicos do criacionismo clássico (veja boxe na pág. 99), entre os quais estão a afirmação de que a Terra existe há apenas 10 000 anos e a de que humanos e macacos não têm ancestrais comuns.

Os partidários do planejamento inteligente até admitem parcialmente a evolução pregada por Darwin. Mas, para eles, ela só seria válida para microorganismos, onde já se produziram provas experimentais. Em A Caixa Preta de Darwin, Behe considera a idéia de ascendência comum “muito convincente”, mas lança dúvidas sobre o mecanismo da seleção natural como explicação para a origem da vida molecular. Quando Darwin defendeu essa idéia, diz o bioquímico, não existia ainda o microscópio eletrônico e imaginava-se a célula como uma estrutura simples e rudimentar, não como um organismo complexo, cujas partes também abrigam sistemas sofisticados.

O argumento central de Behe é que um sistema irredutivelmente complexo é como uma ratoeira: só consegue pegar o rato se todas as suas partes (uma plataforma, uma trava, um martelo, uma mola e uma barra de retenção) estiverem perfeitas e ativas. É diferente de um automóvel que pode funcionar com faróis queimados, sem as portas ou sem pára-choques. O mundo da bioquímica, segundo Behe, está repleto de sistemas irredutivelmente complexos, verdadeiras máquinas químicas, precisas e interdependentes. E isso requeria uma amarração que está muito além da coincidência.

Os evolucionistas contestam. Eles dizem que um grupo de células sensíveis à luz não seria obviamente um olho no futuro, mas bem poderia servir como um sensor primitivo de localização para animais rudimentares. O ouvido de hoje pode ser resultado da evolução de uma membrana sensível a vibrações do ar, o que seria suficiente para salvar uma antiga espécie de um predador pré-histórico.

Muita gente ainda duvida do modelo evolucionista, diz Dawkins, porque não percebe que as mutações entre uma e outra geração são mínimas, praticamente imperceptíveis, só ganhando consistência ao longo de milênios, milhões de anos. Outro equívoco dos anti-evolucionistas, conforme o pesquisador, é imaginar que a evolução é sinônimo de progresso. A maioria das mutações, provocadas por fatores externos – como as radiações cósmicas, por exemplo -, concorrem para piorar e não para melhorar o organismo. Elas seriam aleatórias. Mas sobre esse leque de opções atua, também ao acaso, a seleção natural, perpetuando as mudanças que facilitam a adaptação do organismo ao ambiente e, conseqüentemente, a sobrevivência da sua espécie. Nos casos em que aconteceu o contrário, não sobraram descendentes para reproduzir a mudança.

A raiz do planejamento inteligente remonta ao século XIII, quando São Tomás de Aquino usou o argumento da complexidade da vida como uma das provas da existência de Deus. O neocriacionismo do planejamento inteligente livrou-se dos raciocínios metafísicos e das analogias esotéricas do passado, diz Behe, e, apoiado na bioquímica, tenta oferecer alternativas refinadas à tese de Darwin.

A argumentação pró-planejamento inteligente também bebe daquilo que seria o ponto mais frágil da teoria darwiniana: a questão do registro fóssil. A coleta de fósseis já na época de Darwin sinalizava um problema. Nunca ficou evidente a lenta modificação dos traços entre animais prevista pela teoria. Muitas espécies pré-históricas apareciam como que de repente. Essa lacuna, que permanece aberta até hoje, foi minimizada em 1972 pelos paleontólogos americanos Stephen Jay Gould e Niles Eldredge com a formulação da hipótese do “equilíbrio pontuado”, segundo a qual as lacunas fósseis sugerem que a evolução ocorre em saltos rápidos e, em seguida, as espécies tendem a permanecer estáveis por milhões de anos. (Gould, que morreu no último dia 20 de maio de câncer no pulmão, foi entrevistado pela Super na edição de novembro e escreveu vários artigos condenando os defensores do planejamento inteligente).

Mas os neocriacionistas continuam vendo na falta de fósseis uma prova da inconsistência de Darwin. “O registro fóssil é importante no estabelecimento da teoria da evolução como fato”, diz Enézio de Almeida Filho, especialista em estudos bíblicos e principal divulgador do planejamento inteligente no Brasil. “Ocorre que não há como verificar a evolução por meio de fósseis. Há somente evidências circunstanciais, mas não há nenhuma prova.”

Como os darwinistas encaram tais críticas? As reações oscilam do desprezo ao respeito moderado. “Bobagem”, diz Francisco Gorgônio Nóbrega, doutor em Genética Molecular pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e pesquisador do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq). “A teoria de Darwin tem sido comprovada por mais de um século de pesquisas biológicas, abrangendo de bactérias ao homem.” Nóbrega lembra que o cientista é treinado para ser crítico e, certamente, muitos sonham com a possibilidade de oferecer ao mundo uma teoria superior à de Darwin. Para que isso aconteça, no entanto, é necessário reunir dados consistentes e submetê-los ao rigor de outros pesquisadores – “e não apenas escrever livros”.

Outro doutor em Genética, o evolucionista Crodowaldo Pavan – único brasileiro a integrar o fórum independente de cientistas convocado pela Academia de Ciências do Vaticano -, considera o planejamento inteligente pelo menos “uma hipótese mais respeitável” que a do criacionismo clássico, que não acredita na evolução apenas por convicção religiosa. “Ao estudar a complexidade da vida, os neocriacionistas nos ajudam a interpretar a natureza”, afirma.

Os evolucionistas também têm se debruçado sobre a biologia molecular e dali retirado novos argumentos em defesa da teoria darwiniana. Dawkins lembra que os “textos” (as seqüências de aminoácidos) do citocromo C, presentes no DNA de vários organismos, têm sido comparados com grande sucesso, letra por letra. Está provado que 12 letras – num conjunto de 339 – separam o citocromo C humano do citocromo C dos cavalos, que seriam primos distantes do homem. E apenas uma troca de letras diferencia o citocromo C humano do dos macacos, o mesmo número que separa os citocromos de cavalos e jumentos, que são primos muito próximos. Já a distância entre o citocromo humano e o do levedo, um fungo, é de 45 trocas de letras. São fatos que sugerem o parentesco entre todos os seres vivos e reforçam a tese do ancestral comum.

Apesar do status de ciência pretendido por seus defensores, o neocriacionismo não deixa de dar seqüência, nos dias atuais, ao embate centenário entre religiosos e evolucionistas, hoje praticamente restrito aos Estados Unidos e a alguns países islâmicos. Mas há nuances na visão religiosa. A idéia de evolução choca os conservadores, mas é aceita por religiosos liberais, que preferem ler o Gênesis bíblico como uma narrativa mítica. Até o papa João Paulo II admitiu, há dois anos, que as teorias da evolução, incluindo a de Darwin, merecem ser encaradas como algo além de hipóteses. Nesse caso, a evolução é vista como o meio de Deus criar, ainda que o neodarwinismo (síntese da genética moderna com a teoria da seleção natural) realce a falta de propósito e de intenção na evolução. É nesse detalhe, aliás, que estaria a maior “heresia” de Darwin, um agnóstico, já que os homens não são vistos como o propósito final da evolução, mas apenas como resultado de um acidente que poderia ainda levar a a outros acidentes.

Trata-se de conflitos que ganham dimensões profundas nas religiões judaico-cristãs. Especialmente no fundamentalismo evangélico e no Islamismo – que trabalham com o conceito de um Deus pessoal e intervencionista -, mas perdem densidade em religiões que não consideram a idéia de uma criação instantânea do mundo. No Hinduísmo, por exemplo, as escrituras se referem a infindáveis ciclos de criação e de dissolução na natureza. As tradições orientais são também menos centradas no homem do que as religiões do Ocidente e consideram os humanos uma pequena parte da realidade.

Com ou sem motivações religiosas, a polêmica em torno da evolução está longe de acabar. No momento, são vários os estudos sobre evolução mole-cular in vitro em andamento nos Estados Unidos, o que, certamente, conduzirá a novas revelações e inferências sobre a origem da vida nos próximos anos. “Não há um único artigo respeitado pela comunidade científica que tenha oferecido uma alternativa racional à teoria de Darwin”, diz Gorgônio Nóbrega. “Mas não podemos banalizar o problema: a origem da vida celular está envolvida em mistério, pois a ciência, apesar de muitos progressos, ainda está longe de ter um modelo completo, sem falhas, para explicar a gênese da estrutura celular e da maquinaria básica da vida.” Pelo menos nesse ponto, evolucionistas e neocriacionistas têm a mesma opinião.

Uma evolução, muitas versões

Charles Darwin não foi o primeiro biólogo a trabalhar com a idéia da evolução e do parentesco entre todos os seres vivos. O principal concorrente de Darwin, na vertente evolucionista, foi o biólogo francês Chevalier Lamarck, cuja teoria, apresentada no século XVIII, teria peso semelhante à de Darwin não fosse um detalhe insólito: Lamarck tratava a evolução com o princípio do uso e desuso, segundo o qual as partes de um organismo usadas com freqüência aumentam de tamanho (como acontece quando exercitam os músculos específicos), ocorrendo o inverso com aquelas mantidas em ociosidade. Para ele, essas alterações seriam passadas às gerações futuras, detalhe que jamais foi comprovado. No começo do século XX, o fenômeno da mutação genética foi descrito pela primeira vez.

Logo cientistas famosos como Wilhelm Johannsen, inventor do termo “gene”, e Thomas Morgan, pai da teoria cromossômica da hereditariedade, deduziram que novas espécies surgiam de uma única grande mutação e não da seleção natural. Outro geneticista, o japonês Motoo Kimura, deu uma roupagem molecular a uma antiga concepção evolucionista: a teoria neutralista. A idéia é a de que a maioria das mudanças evolutivas, no âmbito da genética molecular, são neutras – portanto, não dependentes da seleção natural.

Uma das mais recentes teorias rivais de Darwin – encarada como uma teoria complementar por muitos darwinistas – surgiu em 1972 nos Estados Unidos, formulada pelos paleontólogos Stephen Jay Gould, da Universidade de Harvard, e Niles Eldredge, do Museu de História Natural de Nova York. Para eles, a evolução acontece em saltos rápidos, quando populações pequenas desenvolvem, em períodos de não mais que 10 000 anos, novas características para se adaptar a um certo ambiente. Depois disso, as espécies tendem a se manter constantes por milhões de anos. O modelo, chamado equilíbrio pontuado, oferece uma explicação à ausência de fósseis que mostrem claramente a mutação das espécies ao longo de bilhões de anos, de acordo com a teoria darwiniana.

A bíblia como ela é

A trajetória da teoria da evolução nos Estados Unidos nunca foi tranqüila. Nas primeiras décadas do século XX, metodistas, batistas e presbiterianos realizaram campanhas anti-evolucionistas em mais de 20 Estados e conseguiram banir o ensino da teoria de Charles Darwin, nos anos 20, em quatro Estados – Oklahoma, Tennessee, Mississippi e Arkansas. A inspiração para essa cruzada era conter o avanço de uma teoria que favorecia o ateísmo e o materialismo. Mas, nessa época, havia ainda outras motivações. William Bryan, um dos líderes da campanha – e também político pacifista, alinhado com causas avançadas como o voto feminino – temia que a idéia de seleção natural incentivasse uma “cultura da crueldade” na sociedade, com a discriminação dos mais fracos. O próprio Darwin receava o uso político da sua teoria e hesitou por mais de 20 anos antes de torná-la pública.

Intensas batalhas judiciais foram travadas e em diversas ocasiões os criacionistas conseguiram barrar, temporariamente, o ensino da teoria evolucionista nas escolas de Estados do sul, mais conservadores. A partir dos anos 60, uma nova geração de criacionistas adotou a estratégia de pleitear tempo igual nas escolas para Darwin e para a Bíblia, sendo montado um corpo doutrinário para o que se chamou de ciência-criação, em oposição à ciência da evolução. Foram igualmente criadas fundações e institutos que incentivam e patrocinam pesquisas destinadas a comprovar a narrativa do Gênesis – da criação do homem ao dilúvio de Noé – e uma maciça ação de marketing passou a incluir até excursões geológicas nas quais jovens e crianças garimpam no solo americano indícios do dilúvio global.

Na década passada, os criacionistas voltaram a obter vitórias expressivas – e temporárias – em alguns Estados americanos. O caso mais destacado foi o do Kansas, onde o Conselho Estadual de Educação aboliu do currículo escolar a teoria evolucionista, em 1999. A decisão foi depois derrubada pela Suprema Corte dos Estados Unidos. Não se trata de gestos solitários, num país em que o fundamentalismo religioso é bastante influente. Mais de 50% dos americanos se dizem favoráveis ao ensino das teorias criacionistas nas escolas ao lado da teoria evolucionista. Mas isso pode ser pouco para os criacionistas radicais. Para eles, a questão da origem do mundo e da vida resume-se a seis premissas indiscutíveis:

. Universo, energia e vida foram criados do nada – por Deus.

. Organismos complexos não podem surgir de formas simples de vida, por meio de mutações aleatórias.

. Os seres vivos (plantas e animais) podem variar apenas dentro dos limites fixados para cada espécie.

. Homens e macacos têm ancestrais distintos.

. A geologia terrestre pode ser explicada pelo catastrofismo, a começar pelo dilúvio global registrado na Bíblia.

. A Terra é jovem – tem menos de 10 000 anos e não os 4,5 bilhões de anos estimados pela ciência.

4 comentários sobre “Filosofia

  1. Olá caros leitores do blog! Sei que já estou de ferias e não sou obrigado a postar esse texto. Mas me lembro que terminei o ano devendo uma atualização do texto anterior que escrevi, por isso gostaria de comentar a minha hipótese sobre a quantidade inacreditavelmente alta de semelhanças entre os mitos criacionistas de diversas civilizações. Se pararmos um pouco para pesquisar em que época que esses mitos foram criados veremos que foi no começo de nossa evolução, nessa época o humano ainda não havia desenvolvido completamente a logica e por isso agia quase que totalmente por extinto. E como vocês devem saber o extinto é uma coisa que não muda muito entre os membros de uma espécie, por exemplo todo macaco come banana e é muito curioso. E naquela era nos tínhamos medos e receios semelhantes, por exemplo os trovões e relâmpagos naquela época onde não intendíamos o que eram os tornavam assustadores, e com o medo surgia o respeito que gerou assim uma importância para os deuses dos trovões e relâmpagos como Zeus(ou Júpiter), Thor e Tupã.
    Para vocês caros leitores terem uma noção do poder desse extinto citarei dois exemplos de como esses “reflexos” influenciam nossas vidas até nos tempos modernos onde mesmo nosso cérebro dominado pela logica ainda se amedronta com o desconhecido, característica muito usada em filmes de terror onde colocam momentos de tensão onde apenas o medo do monstro aparecer já é mais que o suficiente para causar medo no telespectador mesmo sabendo que não é real. Além disso as vezes quando estamos dormindo sentimos a irritante sensação de que estamos caindo mesmo estando no meio da cama.

  2. Relações entre os mitos criacionistas

    Reconhece esses dois deuses? De cima para baixo são Zeus e Odin, Os dois são os mais importantes de suas religiões. Mas acredite em uma coisa, esses dois importantes personagens não tem apenas foram descritos de forma suficientemente parecida a ponto de poderem ser confundidos como irmãos e dividem o grau de maior importância entre os deuses de suas respectivas crenças como também tem muitas outras coisas em comum. Por exemplo os dois possuem artefatos místicos como seu símbolo além de terem dois irmãos cada. Hoje em dia se tratássemos esses mitos como livros recentes aconteceria dos dois serem acusados de plagio(oque seria uma cena
    Engraçada, homens barbudos de armadura e armas em mãos se de gladiando em um tribunal)mas em duas crenças de épocas onde não dava para pessoas do outro lado do globo se encontrarem e muito menos terem qualquer contato como uma conversa. Então como povos tão diferentes tiveram percepções do mundo ao seu redor tão parecidas? Talvez uma serie de fenômenos que aconteceu em ambos lugares, ou quem sabe ainda alguma brincadeira do subconsciente humano? Se permitirem a citação ,”Há mais mistérios entre o céu e a terra, do que sonha nossa vã filosofia”

    Traição, brigas e etc:

    Em praticamente todas as crenças as brigas, traições e desentendimentos mudaram o curso de sua historia, como as traições de Zeus, As “pegadinhas” de Loki, o “pequeno” erro de Eva e também o ciúme de Ra.

    Fim do mundo e diluvio:
    Eventos grandiosos como o diluvio e o Ragnarök levaram personagens como Noé, Odin ,Thor, E os animais do mito indígena do Norte a tomarem decisões trágicas e arranjarem maneiras de sobreviver(nem sempre muito efetivas)aos desastres. Outro fato muito interessante desses fenômenos é que tanto na mitologia Indu quanto na Nórdica o fim do mundo não é realmente o fim de tudo e sim um recomeço.

    Lua e Sol:
    Na mitologia Grega Apolo é o deus do sol e tem uma irmã Artêmis o que se assemelha muito a o que acontece nos mitos egípcios e indígenas onde o sol e a lua tem relações familiares e até mesmo sexuais, sendo que a lua é na maioria das vezes representada por uma deusa(EX: Jaci) e o sol um deus(EX: Coaraci).

  3. Relações entre os mitos criacionistas

    Reconhece esses dois deuses? De cima para baixo são Zeus e Odin, Os dois são os mais importantes de suas religiões. Mas acredite em uma coisa, esses dois importantes personagens não tem apenas foram descritos de forma suficientemente parecida a ponto de poderem ser confundidos como irmãos e dividem o grau de maior importância entre os deuses de suas respectivas crenças como também têm muitas outras coisas em comum. Por exemplo os dois possuem artefatos místicos como seu símbolo além de terem dois irmãos cada. Hoje em dia se tratássemos esses mitos como livros recentes aconteceria dos dois serem acusados de plagio(oque seria uma cena
    Engraçada, homens barbudos de armadura e armas em mãos se de gladiando em um tribunal)mas em duas crenças de épocas onde não dava para pessoas do outro lado do globo se encontrarem e muito menos terem qualquer contato como uma conversa. Então como povos tão diferentes tiveram percepções do mundo ao seu redor tão parecidas? Talvez uma serie de fenômenos que aconteceu em ambos lugares, ou quem sabe ainda alguma brincadeira do subconsciente humano? Se permitirem a citação ,”Há mais mistérios entre o céu e a terra, do que sonha nossa vã filosofia”

    O numero 3:
    No Ragnarök três galos cantaram antes da batalha começar, Fjalar o galo de cor carmesim cantou na floresta Gálgviðr, O galo dourado Gullinkambi em Valhalla e o terceiro um galo vermelho, canta no submundo. E tanto na mitologia nórdica quanto na grega a três grandes deuses, na Grega Hades o rei dos mortos representado pelo seu elmo, Zeus o dono do raio mestre seu símbolo e Poseidon imperador dos mares representado pelo tridente. E na mitologia nórdica Loki o mestre da trapaça e do fogo que não tem uma arma especial mas já adquiriu muitas armas místicas de outros deuses, Thor o soberano do trovão(como Zeus) e dono de um martelo místico(as vezes representado como um porrete e um machado) e Odin deus da sabedoria representado por sua lança que sempre volta para sua mão.
    Outras coincidências(ou talvez não)Da mitologia nórdica e Grega envolvendo o numero 3 é que Loki teve 3 filhos(Um deles com um cavalo)O Cerberus cão que representa a morte tem 3 cabeças, são 3 parcas que cortam o fio da morte e Thor foi envenenado por uma cobra gigante(filha do Loki)E morreu depois de dar 3 passos.

    Traição, brigas e etc:

    Em praticamente todas as crenças as brigas, traições e desentendimentos mudaram o curso de sua historia, como as traições de Zeus, As “pegadinhas” de Loki, o “pequeno” erro de Eva e também o ciúme de Ra.

    Fim do mundo e diluvio:
    Eventos grandiosos como o diluvio e o Ragnarök levaram personagens como Noé, Odin ,Thor, E os animais do mito indígena do Norte a tomarem decisões trágicas e arranjarem maneiras de sobreviver(nem sempre muito efetivas)aos desastres.

    fonte: http://jovemnerd.ig.com.br/nerdcast/nerdcast-270-de-nordico-e-louco-todo-mito-tem-um-pouco/
    nota: a imagem de Odin e Zeus não apareceram teria como bota-las?

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